
Ali na Rua Urugai esquina com a Rua da Praia. Ali uma jovem garota desabafava o aperto em seu peito: gritava, chorava, batia! Enquanto seu namorado tentava acalmá-la com promessas estúpidas. Segurava a mão da guria e pedia para ela não fazer fiasco. Sim, ela estava fazendo um fiasco. A bela jovem conseguiu fazer com que todos parassem para ver a cena. E até eu parei, tirei o fone do ouvido e fiquei observado por alguns minutos.
Como num filme recordei que já tinha passado por aquilo: gritos, choros, tapas e platéia. Apenas os personagens eram diferentes e a esquina não era uma do Centro, mas da Cidade Baixa. A vontade que eu tinha era de gritar para a guria: "Você não tem amor próprio!!!".
Respirei fundo! Coloquei o fone no ouvido novamente. Segui caminhando com uma dor no peito. Ao mesmo tempo que entendia a moça, sentia pena dela. Apenas dejesei que a sua atitude se tornasse um aprendizado, como aconteceu comigo. Desejei que ela se amasse mais, ou pelo menos que se amasse em primeiro lugar. Por que por mais que a gente se arrependa de algo na vida, antes de chegarmos a conclusão de que tanto nos entregamos e pouco recebemos, é preciso aprender a amar-se.
Temos que nos amar com todos nossos erros. Com todos nosso defeitos. Com as qualidades e virtudes também. Nos amar desde a maldita estria na barriga, passando pela ponta dos pés, coração, olhos, até o último fio de cabelo! Só assim o próximo também receberá seu verdadeiro amor. Seja o próximo quem for. Seja ele seu namorado, amante ou pai!
(P.S: Amar não é facíl, amar também é lutar. E amar-se é uma luta constante. Mas uma luta que sempre valerá a pena!!!)